Diário britânico entrevista Natalia Morar, jornalista de 25 anos que está sendo perseguida na Moldávia após organizar protesto contra fraude eleitoral na Moldavia.
Londres - A mulher por trás do enorme protesto que balançou a capital da Moldávia na semana passada entrou na clandestinidade após liderar a chamada “Revolução Twitter” – manifestação que forçou a recontagem dos votos das eleições gerais do país no início do mês. Natalia Morar, de 25 anos, uma jornalista moldávia que recentemente foi banida da Rússia por se opor ao Kremlin, disse ao Guardian que temia ser detida após organizar a “flash mob” (aglomerações relâmpagos organizadas pela internet) que terminou com 20 mil pessoas invadindo o Parlamento.
Quando conversou com a reportagem, Morar contou que não dormia há duas noites e estava aleatoriamente indo de um apartamento para outro para despistar a polícia. “Eles cercaram a minha casa e a da minha mãe”, disse ela. “Entraram no meu apartamento sem um mandado de busca. Se eles me encontrarem vão me prender – e o que acontecerá depois, ninguém sabe. Eu não tenho conversado pelo telefone nem entrado na internet com medo de ser rastreada.”
É irônico, acrescentou ela, que as ferramentas utilizadas para iniciar uma revolução agora podem revelar seu paradeiro.
É irônico, acrescentou ela, que as ferramentas utilizadas para iniciar uma revolução agora podem revelar seu paradeiro.
Os protestos começaram após uma conversa entre Morar e seis amigos em um café em Chisinau, a pequena capital da Moldávia, na segunda-feira, 6 de abril. “Discutimos o que deveríamos fazer em relação às eleições parlamentares do dia anterior, as quais tínhamos certeza de que foram manipuladas”, disse Morar, falando de um local secreto. As eleições resultaram numa vitória maior do que a esperada do incumbente Partido Comunista. “Nós decidimos organizar um flash mob para o mesmo dia usando o Twitter, bem como sites de redes sociais e SMS (mensagem por celular).”
Sem história recente de protestos em massa na Moldávia, “nós esperávamos, no máximo, uma centena de amigos, amigos de amigos, e colegas”, disse ela. “Quando fomos para a praça, havia 20 mil pessoas lá”, diz ela. “Foi inacreditável”.As manifestações prosseguiram até terça-feira pacificamente. Mas mais tarde naquele dia, sem qualquer resposta da parte do governo, manifestantes furiosos ignoraram a polícia e invadiram os edifícios do Parlamento e do Palácio Presidencial. Um incêndio tomou conta de uma das alas do Parlamento, e os jovens manifestantes destruíram computadores e moveis dos gabinetes. “Não só subestimamos o poder do Twitter e da internet, mas também subestimamos a raiva explosiva dos jovens com as políticas do governo e a fraude eleitoral”, disse Morar.
Na manhã de anteontem, funcionários do governo iniciaram a recontagem dos votos, ordenada pelo presidente Vladimir Voronin, pressionado pelos manifestantes. Os resultados da nova contagem serão divulgados amanhã. A Moldávia, com uma população de 4 milhões de pessoas, é o país mais pobre da Europa, e um enorme número de jovens é forçado a migrar para o oeste em busca de emprego. “A discrepância entre o que eles veem e aprendem lá, e para o que eles veem quando voltam para a Moldávia, cresceu demais”, disse Morar. Apesar da polêmica sobre os danos causados, Morar diz estar “orgulhosa de jovens moldávios” por terem demonstrado coragem e tomado as ruas. “Foi o protesto dos jovens que forçou o governo a realizar uma recontagem dos votos”, disse ela. “Agora cabe a oposição retomar a iniciativa.”
Interferência
Morar não acredita que a atual perseguição contra ela é puramente o trabalho das autoridades moldávias. Ela vê a mão no Kremlin no meio. “Inicialmente as autoridades do país culparam a interferência romena pelos protestos”, diz ela. “Foi quando a Rússia expressou forte apoio à posição da Moldávia sobre as eleições, e condenou os protestos”.Morar foi expulsa da Rússia em 2007 depois de escrever uma série de artigos acusando nomes importantes do Kremlim, incluindo Alexander Bortnikov, o atual chefe do serviço de segurança russo, a FSB, de estar por trás do assassinato do principal líder contra a lavagem de dinheiro da Rússia e chefe adjunto do Banco Central do país, Andrei Kozlov, em setembro de 2006. O apoio russo às autoridades moldávias surpreendeu observadores.
Apenas recentemente, durante a crise da Geórgia em agosto do ano passado, a Moldávia estava em conflito com a Rússia, devido ao apoio de Moscou à pequena região separatista de Transdnistria (na Moldávia). Mas Morar tem uma opinião sobre o apoio russo: “(O Kremlin tem) medo que os jovens russos vejam que é possível tomar as ruas e desafiar as autoridades. É isso que eles não podem suportar”.
Tradução: Breno Baldrati
Fonte : Gazeta do Povo - 16/04/2009
Fonte : Gazeta do Povo - 16/04/2009
Um ótimo exemplo, porque não pensar nessa idéia, é tanto descaso com povo neste país que dá até vontade de fazer uma revolução, mas não posso fazer isso se não vou preso, é por isso que existe a Democracia é para resolver os problemas do "POVO" com diálogo, discussões, mas até quando ela irá durar? Pensem nisso!!! A Santa Paciência já não esta aguentando mais!!!
Olha a Internet aí mais uma vez.......

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